2 de maio de 2004

S.PEDRO
Pode ser que com o avançar do conflito no Iraque algum míssil perdido acerte na guarita de nuvens do S.Pedro. E o estúpido merece: Sol de rachar até Sexta-feira e mau tempo no fim-de-semana?!
Ora vá-se catar!
ENTRETENIMENTO
Fui ontem ver o "My Fair Lady", no teatro Politeama. Estava em cena há um ror de tempo e eu queria ver o que o La Feria tinha feito com esta versão do Pigmaleão.
Que dizer? As músicas são boas, a orquestra é óptima (gostava de saber quantos espectáculos teatrais em Portugal têm noite após noite uma orquestra ao vivo...), a história é divertida e há boas vozes.
Tirando o desconforto das cadeiras o público gostou bastante. Numa sala cheia (dezenas e dezenas de espectáculos depois, mais ou menos o mesmo que acontece com as peças incensadas na imprensa...), aconteceu uma noite de entretenimento puro. Sem mais.
Está certo que a Anabela tem tanto jeito para representar como eu tenho para a renda de bilros, ou que o Miguel... (esqueci-me o nome, mas escreveu uma coisa chamada "Toma lá uma Queca", ou assim...) é um canastrão incorrigível) e que a tradução apressada das letras leva a que os cantores se desunhem para apanhar a música a tempo, mas o espectáculo continua a ser muito válido. Não fosse tudo isto e a pavorosa cenografia (a mesma trampa que já tinha acontecido na versão de "A casa do lago" e poderíamos ser transportados até Londres.
Na paragem do autocarro as pessoas trauteavam. Nunca vi isto à saída do Nacional...
DYRUPE-ME OU ROBIOLÁKME
Se por acaso conhecerem alguém da administração da Parque Expo comuniquem-lhes, por favor, de que existe agora uma coisa chamada "verniz para exteriores" que seria muito boa para os equipamentos em madeira do Parque das Nações. Usa-se depois da aplicação de uma folha abrasiva conhecida como "lixa" e que custa baratíssimo. Eu sei que isto é super-tecnológico, mas talvez algum dos consultores ricamente pagos lhes possa explicar...
verniz.gif

30 de abril de 2004

HOJE ESTÁ CHOVER MAIS DO QUE ONTEM
sandokan.gifconan.jpgveranoazul.jpg

MAKE ME SIC
Adorável a forma como estão a recrutar, via SIC, a futura miss Portugal: pega-se numa besta com má-língua, junta-se-lhe uma tonta quase tão loura como malcriada e ainda outra criatura de que nem me lembro. Em seguida manda-se entrar uma adolescente tontinha a quem passaram a vida a dizer que era linda, mesmo não o sendo, e aponta-se-lhe os defeitos todos. De forma tão grosseira quanto possível.
A miúda parte em lágrimas e a Sic rebola-se de riso.
Parabéns, Manuel Fonseca!
UNIVERSIDADE
Consta que o actual governo pretende "abrir" a universidade a novos docentes. Introduzir "reformas". Que as faculdades constituem universo fechado e, frequentemente, corporativista e amedrontado, já o sabíamos. Que existem milhares de professores sem qualquer preparação para orientar os alunos nos conhecimentos, também. Julguei, portanto, que a proposta consistiria em DAR FORMAÇÃO PEDAGÓGICA aos existentes; ensinar-lhes o que querem dizer palavrões como "dinâmicas de grupo", "motivação", "feedback positivo"...
Afinal, não: querem apenas meter "doutorados" exteriores ao "sistema". Estarão eventualmente a pensar nos nossos "estrangeirados" das áreas científicas. O que será positivo. Na pior das hipóteses estarão apenas a abrir lugares para os laranjinhas filhos do cavaquismo que chegaram dos States e não arranjam trabalho...
Em qualquer dos casos, ser professor é mais do que isso.

29 de abril de 2004

MARIA E AS OUTRAS
Poderia dizer que embora o argumento seja meu (a partir da ideia de Rita Bénis, uma estreante nesta andanças), não fui eu que escrevi os diálogos da net, que são uma zona mais fraca na totalidade da película. Ou que um filme é o fruto de um processo que inclui realização, produção, direcção de actores, escolha de casting, etc... longo e complicado. Mas ao ler as críticas que alguns jornalistas fazem ao filme, pergunto-me se o interesse, a emoção e o riso sincero das centenas de pessoas que enchiam ontem a sala foram delírio meu...?

Ou o que as pessoas sentem deixou de ter importância ou os nossos críticos de cinema terão de deixar de ter visionamentos logo de manhãzinha, de criarem opiniões conjuntas no bar e tentar perceber que há filmes que buscam a originalidade e outros que buscam a partilha. Este nunca quis ser mais do que um filme que buscasse esta última qualidade. E senti que a assistência gostou e se sentiu tocada e feliz por, POR UMA VEZ, não ter apanhado 2 horas de seca!
Reduzi-lo a pó, saltando por cima do que de bem feito ele tem, além de afastar os já receosos espectadores não trará, a meu ver, nada de positivo.
Chatice: lá se foi o Prémio da Crítica do bar Snob!
;) No hard feelings

ps: se forem ver, gostaria de ter aqui as vossas opiniões. Boas e más.

26 de abril de 2004

DESCER A AVENIDA
Enquanto descia (à velocidade que queria e sem me preocupar de quem eram as faixas onde me ia encostando) e ouvia os gritos de ordem do passado, percebi que havia mais pessoas a ver do que a participar. O que me pareceu, da parte das gerações mais novas, sinal de que o 25 de Abril era uma aula de história, para esquecer ao lado das de matemática ou de português. E das gerações mais velhas que se esqueceram que houve um tempo em que as pessoas não se limitaram a balir. Pediam, construíam e, de vez em quando, conseguiam.
FESTA COM MÚSICA
Um corrupio de gente. Música por todo lado. As idades confundidas.
De todos os concertos que vi, o melhor foi o menos espectacular de todos (no sentido de ter muitos instrumentistas ou não). Paulo Gaio Lima(violoncelo) e António Rosado, (piano) tocaram obras de Mendelssohn e Schumann. O violoncelista do Porto foi absolutamente sublime, sabendo calar-se quando o piano se elevava e partindo em seguida, vivaz, para uma interpretação rica. O contrário verificou-se menos. António Rosado martelou em força e com menos expressão. Mas pode ter sido apenas do repertório. De qualquer maneira, foi, para mim a melhor sessão.
Destaque ainda para a pianista Brigitte Engerer, a trazer ao de cima o melhor da obra de Clara Schumann.
Só por isto, já teria valido a pena. Mas houve ainda a visita (gratuita) às exposições temporárias e a alegria civilizada vivida entre tanta gente.
Para o ano lá estaremos, de novo :)
...............cravo.jpg............

23 de abril de 2004

PÁ... FOI TUDO TÃO INESPERADO...

Parece que o governo está um pouco embaraçado com o envolvimento de membros do psd e o escândalo do apito.
"Pareciam tão boas pessoas, tão amigos da família, e das casas (mesmo antes de serem construídas...)", não mencionando que estavam sempre prontos para falar com gente da bola....", terá dito o Secretário de Estado da Ingenuidade. Em telefonema para o rei da Madeira, terá mesmo comentado: "Alberto, eu sei que por aí não há corrupção nenhuma, mas vê lá se ouves alguma coisa de estranho, para isto não incendiar, sem nós darmos por isso". Este, pousando o charuto, terá respondido, irritado, que não estava a perceber nada, que essas filhadaputices só aconteciam com os cubanos e que lhe deixasse acabar o almoço com o administrador da multinacional hoteleira, desligando à bruta. Este gesto terá descansado o jovem laranja que foi a correr dar as boas notícias a um céptico D.Barroso.
major.jpg.................apito.jpg

PARTY PARA PIANO E VIOLINO
Amanhã lá estarei, com os bilhetinhos na mão, à porta do Grande Auditório do CCB. A festa da música começa hoje e prolonga-se pelos próximos dois dias (julgo que em Viseu já houve concertos...).
Há 3 semanas atrás, quando me meti na fila das bilheteiras, já tinham sido vendidos mais de 30000 dos 50000 lugares disponíveis.
Uma grande multidão que perceberá pouco dos compositores que escutará, que nunca será levada a sério pelas nossas cabecinhas pensantes. Mas que estará lá, pelo prazer de ouvir uma grande orquestra a interpretar peças compostas há mais de 100 anos.
Crime de lesa-magestade, eu sei.

22 de abril de 2004

CIGANOS HI-TECH
Fui o último a saber: os ciganos e o seu comércio de pano no chão chegaram ao mundo do cinema. Ia eu a passar por uma rua de Lisboa quando olho para o que estavam a vender 3 ciganos. Estranhei serem dvs, mas julguei tratar-se de uma série de animações a imitar o Rei Leão ou coisa que o valesse. Caíram-me os olhos ao chão (o que sendo uma porcaria, ainda assim não é do pior que me aconteceu nesse dia) ao ver o ELEPHANT do Gus Van Sant, o épico gore do Mel Gibson e uma série de coisas que continuam a correr em sala, ou ainda não chegaram ao mercado de dvd.
Era a pirataria a 5 euros.
Não vou dizer se pactuei. Apenas que o som é fraquito e que aborrece um cadinho ver as cabeças dos estúpidos que SE LEVANTAM CEDO DE MAIS, ainda os créditos não tinham acabado de passar. Se tivesse comprado algum, também poderia dizer que as legendas (assinadas por um misterioso "Careca") em brasileiro, não são assim muito más.
Aparentemente, os frequentadores da feira do Relógio já estavam "carecas" de conhecer estas cópias piratas.
Uma mensagem de solidariedade para os accionistas dos grandes estúdios de Hollywood que vão receber uns milhões de dólares a menos nas vendas...
AINDA O MAJOR E CALO-ME JÁ

Agora a sério, acho mesmo que as coisas estão a mudar na Justiça portuguesa. Deve ser obra dessa mulher inteligentíssima que é a C. Cardona.
Bastaria ver as imagens obtidas pela SIC da primeira chegada ao local dos interrogatório do referido dirigente e dos seus muchachos para ver o que se pode esperar deste processo. O agente da PJ que o acompanhava do lado direito, ia-se desfazendo em sorrisos e dava-lhe palmadinhas no ombro, enquanto ele cumprimentava as multidões distantes e ia disbruindo, helàs, bacalhaus pelos agentes da psp que guardavam as instalações. Um destes últimos, de sorriso rasgado pela honra, não se coibiu de coçar os tomates diante de milhões de espectadores.
Foi um momento bonito e digno da ocasião...

21 de abril de 2004

CORRUPTO, MOI...?
Estou de novo indignado. Então agora desconfia-se do futebol? Que ele há negociatas com a arbitragem? Donos de clubes e de câmaras municipais? Não pode ser! E logo virem com nomes de gente que se vê logo que é de uma honestidade a toda a prova, como o Nosso Major?!
Oh, valha-me Deus... Qualquer dia ainda dizem que Nossa Senhora não apareceu aos pastorinhos e que foi tudo uma negociata da Madre Igreja...!
E com o Euro à porta... Ao menos que se fingisse que não se passava nada, que é uma coisa a que já estamos habituados...; que faz parte da maneira de estar do vulgar português...
Oh, valha-me o Altíssimo...!
SERGIO
Já perdi a conta aos discos (vinis, cds...) que comprei do Sérgio Godinho, desde a minha adolescência. Por razões andarilhas ou sentimentais vou perdendo os discos e sou forçado a comprar tudo de novo.
A compilação que saiu agora, dedicada ao período 1971-1986 é, para mim, a melhor que já saiu. Por um lado, pela selecção (estão lá todos os clássicos que nos enchem a nós e que devem deixar o cantor chateado por ter de os cantar e re-cantar,lol). Por outro, a bela qualidade do som.
Poderá ser uma coisa geracional, mas o Sérgio é de facto o nosso Trovador. O que melhor cantou as pequenas coisas de que se fazem as vidas.
Eu, por mim, hei-de ser velhinho e ainda trautear com voz de chinelo "Hoje é o primeiro dia do resto da minha vida..."

19 de abril de 2004

A RUÍNA!

amarcord.jpg

Cometi o erro de entrar na Fnac para tomar café e folhear uns livros.
Saí de lá com os dvds AMARCORD, a MORTE EM VENEZA e um cd com uma compilação do Sérgio Godinho...
A minha carteira só se virava para trás para as letras F N A C gritando: "Maldita, Maldita".
Lol!

18 de abril de 2004

IO NO HO PAURA

------------------paura2.JPG--------------------

Apanhei um susto violento, ao ler o livro de Niccolò Ammanti . Agora voltei a assustar-me, ao ver o filme de Gabriele Salvatores (autor do belo "Mediterrâneo", em 1991). "Não tenho medo" é um filme poderoso. Poderoso para nós, pelo menos, mediterrânicos sem mar interior. Tal como "Respiro", que passou há uns tempos entre nós, também aqui, o interior italiano, com as suas searas, o calor intenso e os mistérios vulgares que transpiram dos corpos das pessoas falam connosco.
Se não fosse pela última cena, lamechas e desnecessária, diria estarmos perante um dos melhores filmes deste ano. Assim, repito apenas que é um filme a ver.
Antes, sugiro que visitem o maravilhoso site.
ps: para os mais desconfiados só adianto que a Katleen Gomes detestou... Para bom entendedor...

OPEN 2
Uma das características deste torneio é levar-nos sempre à interrogação se não haverá uma fábrica de clones perto do Jamor. É que 90% dos espectadores são Betos, Tiazorras e meninas de cabelinho louro, cigarro e malinha-de-sabe-deus na mãozinha tratada. Sob esse ponto de vista, é horrível. Uma espécie de sonho Santanal (ou pesadelo Louçãnal, conforme o ponto de vista...).

----------------------barbies.jpg---------------------


A Tabaqueira também esteve de parabéns. Não só os meninos da organização permitiam que se fumasse dentro das "navettes" apertadas que faziam o percurso até às bilheteiras, como eles próprios davam o exemplo, fumando sentados nas bancadas. Alguns dos mais velhos fumavam charuto, o que era óptimo para os não-fumadores que estavam sentados ao lado, atrás e à frente. Parabéns à organização por esta prova de tolerância.
OPEN 1
Contra todas as expectativas (as minhas, pelo menos) o argentino Chela (o "Chelas" na gritaria do público mais entusiasta), ganhou a um dos primeiros jogadores do ranking mundial, o russo Safin (levou quase duas horas e meia, é certo...). Este último, apesar de melhorar na fase final da partida, falhou bolas que... até EU acertaria... Enfim.
Foram 30 euros que se dão uma vez por ano...

------------------------chela.jpg------------------------

14 de abril de 2004

AINDA RESTA O CÉU

A blogosfera anda deprimida. Vai desistindo de dizer. Restam os resistentes e as formiguinhas artísticas, os jovens artistas de circo que não percebem por que não hão-de logo fazer dois ou três blogues de uma vez, já que isto não custa nada.
Está como o resto de Portugal, os que pensam custam a encontrar coisas boas para dizer, tal a confusão gerada pelo reino da estupidez, do oportunismo e do endividamento (que já vem lá muito de trás, mas isso é conversa para outro dia).
Os que não pensam, bebem shots, fazem praxes a caloiros enquanto chumbam ou entram para a RTP e apresentam os programas da tarde ou da manhã.
Tudo isto me parece ser verdade. Mas gostaria de partilhar um segredo de praia... Mesmo quando se está enrolado pela onda, nas marés vivas, se tivermos calma e confiança em nós acabaremos por ir dar à praia e respirar de novo. E mais, se por acaso olhássemos para cima, através da água revolta, tenho quase a certeza de que conseguiríamos divisar o céu...
Até à praia, companheiros ;)

13 de abril de 2004

O MEU PAÍS
Juro que julgava que já tivesse desaparecido. Mas não, o pipiblogue ainda lá está. Hoje o tema era muito diferente, passo a citar um breve excerto: "Ontem, caí no erro de esbodegar tranca saloia virado para um espelho. Erro porque, a berlaitadas tantas, em vez de olhar para as minhas caretas, vislumbrei a minha parceira.". O que parecia ser um exercício de escrita vernácula afinal não passa mesmo de uma patologia. Doença aliás bastamente acompanhada, já que, só no post acima citado, se podiam ler 1733 comentários.
Julgava que já tinha desaparecido. Parece que não..... pathetic.jpg..... E que o Fernando Rocha ainda anda por aí. E que o Nélio continua a fazer de Herman aos domingos à noite.
Arreai hoje de novo, o esplendor de Portugal...
LIVRO DE CABECEIRA
No meio da minha fúria oitocentista (leia-se, investigar o século XIX para tentar perceber o que diabo está a acontecer ao Portugal do início do XXI) tenho à cabeceira da cama, as cartas de Isabel, Condessa de Rio Maior, aos filhos, reunida e devidamente apresentada por Maria Filomena Mónica. Todas as noites mergulho nas (múltiplas) preocupações da senhora. Que, por sinal, vão desde os exames que o filho tem de fazer na Universidade de Coimbra, às pastilhas para a tosse e à forma como se conduzem os políticos que não passam para a maioria de nós de nomes de ruas e liceus. Observar de perto o universo desta mulher que sabia mais do que a maioria dos que rodeavam e que só levanta os pés da terra nos seus exageros de progenitora, ajudam-me a reconstituir o puzzle.
BEM-HAJA A LUCIDEZ!
Só agora me chegou (via e-mail) o artigo publicado pelo meu amigo Pedro Mexia, na Grande Reportagem de 6 de Abril. Debruçou-se sobre o Curso de Direito. E, como é seu hábito, disse com as letras todas o que todos os letrados dizem à boca pequena.

" Pois bem: trata-se da mais inconcebível, árida, macilenta e desprezível
das criações humanas. Reparem que nem sequer me
refiro ao Direito propriamente dito: sobre essa
matéria a conivência dos juristas com tiranias sortidas e as obras completas do Kafka chegam e sobram. Quero agora evocar apenas o curso, aqules
cinco penosos anos de colónia penal. Convém aliás explicar que o curso de Direito tem cinco anos não por exigências curriculares mas como forma de homenagem aos planos quinquenais soviéticos. A lógica de opressão, de dirigismo e de extermínio é
a mesmíssima. Não vou agora aqui sumariar a minha experiência estudantil, a qual, aliás, foi aprazível a princípio e se tornou depois indiferente. Mas recordo-me bem do momento de viragem. Em pleno terceiro ano, o meu descontentamento veio ao de cima violentamente, como um almoço mal digerido. Estava
numa aula de Direitos Reais. Estava aborrecido. Estava com sono. Escrevinhava coisas num caderno. E em cima do estrado, o monocórdico mestre dissertava
sobre a «servidão de estilicídio»..." et caetera et caetera

Não fosse isto um país de idiotas, em que os governantes andam tão preocupados em usar as mesmas peúgas que os seus antecessores e em não modificar nada que possa fazer perder as próximas eleições e abordagens simples e directas como esta teriam consequências.
Assim... é o que é.

11 de abril de 2004

RFM
Na rádio, um locutor atira com um momento de reflexão. Fala da amizade que o Papa lhe foi despertando, ao longo destes anos. Que não o conhece, nem tem esperanças de vir a privar. Mas que tem ali um amigo para o que der e vier.
Santa paciência...
DOMINGO DE PÁSCOA
Hoje sacrificaram-se cordeiros. Nas mesas.
Uns sentados, a aturar blá-blá-blás.
Outros cortados em postas, flutuando, mortos entre pedaços de batatas.

9 de abril de 2004

sevilha

Assusta, Sevilha, na semana santa. As ruas tresandam a ervas queimadas e as casas abrem as portas para nos mostrarem que os seus pátios estão decorados com imagens de cristos flagelados. Pelas ruas milhares de homens e mulheres escondem quem são debaixo de longos capuzes kukluxianos. Roxos como uma coisa inelutável. Crianças vestidas de micro-acólitos, o cabelo delicadamente lambido pelo cuspo das mães de cabelo apertado são levadas pela mão entre os milhões de pernas e o ferro fundido dos artefactos.

sevilha1.jpg


NÓS

O Parque das Nações, no seu período pós-Expo98 é, para mim, um símbolo claro do Portugal "Moderno". Tem magníficos edifícios misturados com mamarrachos sem talento. Mas onde se nota mais é nas edificações dos espaços públicos, os passadiços de madeira, os bancos e por aí fora: bem desenhados, símbolos de um país sonhado... mas em degradação rápida. Não houve manutenção, as madeiras apodrecem por falta de verniz e cuidados. Não nos livramos da nossa sina de descobridores que nunca manterão a coisa encontrada.

3 de abril de 2004

SERVIÇO PÚBLICO

O suplemento humorístico do Público, "Inimigo P." está cada vez melhor. As notícias inventadas constituem, frequentemente, tiros mais certeiros do que as notícias que o "corpo principal" se atreve a tocar. Entre várias, esta semana, destaco a que relata a vontade do presidente da C. de Lisboa em resolver o diferento que obrigou Eça de Queirós a ir viver para uma ilha das Canárias por causa de um secretário de estado do Psd. O melhor parágrafo é o que refere a forma como M.Filomena Mónica teria recebido os pedidos de informação de S.Lopes a propósito da actual vida do escritor de Os Maias: "O quê?! Mas o senhor presidente está a falar de quê?".
Lol!

1 de abril de 2004

GREVE ANUAL
Amanhã não há posts.
2 de Abril é dia de reflexão ;)

aniversario.JPG
REVISÃO
Quando as pessoas pegam num livro, limpinho de gralhas e confusões, não fazem ideia do trabalho que está por detrás. E ainda bem. Eu próprio tenho tendência a esquecer-me. Mas sou sempre lembrado cada vez que publico algo. Horas e horas depois de andar às voltas com a nova edição da "Materna Doçura", já pergunto a mim mesmo, por que raio não aceitei um trabalho na Docapesca, ou assim... (suspiro).

30 de março de 2004

AI SANTINHA, AI SANTINHA AI SANTINHA... AI ROMANA, AI ROMANA, AI ROMANA
Há uma canção alentejana que tem este refrão. Actualizadíssimo, atendendo às notícias. Portugal vai ter mais uma santinha. Ai valha-nos o Altíssimo, que grande alegria!
Uma emigrante em França rezou nove dias agarrada ao terço e à fotografia de uma doente de Baleizão (creio). Findo este prazo, estava curada da doença que a afligia.
Os padres de Braga aproveitaram logo para enviar o processo para Roma (onde este assunto é dirigido por um padre portugês, by the way...) e ela aí está santificada.
Quando se fala em religião, vem logo gente, por vezes gente sensata, pedir respeito. Pela fé, pela crença, pelo direito a cada um de nós dirigir o seu imaginário na direcção que entender. Nem que seja para cima. Tenho a declarar que não tenho o mínimo respeito por qualquer religião. Nenhuma delas trouxe nada de positivo ao colectivo. Quando muito levou Teresa d'Avila ao orgasmo. Bom para ela. O resto do tempo só prendeu o desenvolvimento dos povos onde grassou. Por ela foram queimadas, torturadas ou destruidas de maneiras várias, milhares de pessoas. Em nome da religião se travou durante anos o progresso científico, não permitindo que se examinassem os corpos que deveriam chegar inteirinhos à companhia dos santos. Ainda hoje se trava, basta pensarmos nas reticências "éticas" à investigação genética.
Em nome de Deus, milhões de mulheres são obrigadas a sair de cara tapada e pelo mesmo nome não podem trabalhar ou competir com os homens. Invocando um dos seus vários nomes, vemos gente à nossa volta ser discriminada e humilhada. Claro que já se lhe chama "moral", ou "bons costumes", mas as razões nasceram nas sacristias.
A coberto da religião gigantescas empresas financeiras enriquecem os seus accionistas. Pedem-lhes apenas em troca que quando forem Ministros disto ou daquilo, secretários de qualquer coisa que façam passar os valores "justos".
Quando se fala em religião não se fala em espiritualidade. Ou em comunhão com os outros. Fala-se em regras únicas e exclusivistas.
Não me peçam que aceite outra religião que não seja a do amor ao meu semelhante e do respeito por mim próprio.
E nessa religião, definitivamente não cabem santinhas...

29 de março de 2004

NA PARAGEM DO AUTOCARRO
Esperar o autocarro tem as suas vantagens. Aprende-se o que não se aprenderia. Com a proximidade de uma Igreja de já não sei quantos santos, a Alameda (Lisboa) é um dos melhores sítios. E o 16 ou o 18 os autocarros ideais para se aguardar.
Hoje, duas mulheres falavam sobre a realeza espanhola. "O que é feito daquele que era casado com a Princesa... Ouvi dizer que morreu...", "Não, vão-se é separar", "Ai não me diga... Bem, ele é feio como os trovões...", "Parece que, enquanto esteve no hospital, se apaixonou por uma enfermeira...", "Pois, são príncipes, mas também são humanos... E elas que são todas umas raparigas de quem ninguém tem nada a dizer... Princesas, mas a Comunicação Social, nunca teve Assim, para dizer delas... Ora então vão-se separar... É a vida", "É a vida.".
PROSA DO TRANSIBERIANO
"(...) As inquietações
Esquece as inquietações
Todas as gares gretadas oblíquas sobre a estrada
Os fios telefónicos de que pendem
Os postes ridículos que gesticulam e os estrangulam
O mundo estende-se alonga-se e contrai-se como um
harmónio que mão sádica atormenta
As locomotivas furiosas
Escondem-se
Nas aberturas do céu..."

Blaise Cendrars (na tradução de Liberto Cruz)

28 de março de 2004

JÁ FALEI...

das Triplettes de Belleville? Do filme de animação que estreou em Portugal esta semana? Bem, os jornais já disseram tudo e eles é que recebem o dossier de imprensa com a papinha já toda feita... ;)
Gostei da excelente animação e do humor (frequentes vezes, negro) do filme.
A não perder. Sobretudo para os apreciadores de Tati.
O SÍTIO MAIS FEIO DO MUNDO
Claro que tinha ouvido falar do desastre arquitectónico. Claro que sabia não ir encontrar Florença ao fundo da A2.
... Mas nada me tinha preparado para Albufeira.
Quando se entra, assemelha-se ao México, na fronteira com os USA, (ver filmes do Rodriguez para ter uma ideia), mas à medida que se avança percebemos não estar num lugar vulgar. Na verdade, caímos no interior de um pesadelo do Souto Moura. Uma miríade de cogumelos retorcidos, de todas as cores, uma trip alucinante levanta-se da terra e antes que nos apercebamos estamos no lugar de pior gosto que alguma vez avistei. Uma fonte com 3 golfinhos hiper-realistas a saltar no ar é a coisa mais normal. O resto é uma carta branca a um ou mais "Taveiras" deste país.

albufeira.jpg


Vou ser sincero, tive o maior choque estético da minha vida. Nunca pensei que seria possível ir tão longe no horror.
Estudantes de arquitectura: peguem em frascos de Xanax e metam-se ao caminho; aquilo é um case study.
Nesta hora difícil, a minha solidariedade está com os habitantes de Albufeira que são forçados a viver entre aqueles...
aquele... (pausa para soluço, a emoção é muita....)

ps: ainda estou para saber o que seriam as três coisas de cerâmica que estavam agarradas à parede do quarto do hotel....
DOC
Ideologias e crenças religiosas à parte, parece-me muito interessante o documentário da Mariana Otero, "História de um segredo" (Nimas, Lisboa). Na verdade, trata-se de uma filha que procura reconstituir o seu passado, trazendo à luz a verdade sobre a morte a mãe. Eu gostei muito.
Claro que alguns de nós sairão de lá a achar que Portugal vive ainda em 1973...

25 de março de 2004

HÁ DIAS ASSIM
.....................................teleka3.JPG...............................

.............................................finlândia'2004
MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE...
Descubro ao pequeno-almoço, enquanto folheio uma edição requentada do Expresso, a referência a uma eventual confusão sobre o Hotel onde o Eça de Queirós teria ingerido monumentais almoços e ideias para grandes romances. Vinha nas "Cartas do Comendador", logo não tenho a certeza...
Digam-me, por favor, que o executivo camarário de Lisboa NÃO COMPROU POR ENGANO, o Hotel Bragança da rua do Alecrim, em vez do Hotel Braganza referido nos livros...
Se houver alguma alma caridosa que queira avançar com uma explicação, agradecia.
FNAC DE CULTO

Interessante e bem feita a brochura lançada pela Fnac sobre Filmes de Culto. Pareceu-me um percurso bastante abrangente e justo. Útil para todos nós, sobretudo para os que se iniciam na descoberta do Cinema.
Foi pena não ter sido indicado o nome dos autores do texto e da investigação. Pode ser defeito profissional mas gosto sempre de saber quem está por detrás do bom desempenho do Rato Mickey ;)

24 de março de 2004

fin1.JPG
GRAÇA
Sentam-se às vezes ao nosso lado sem saberem o que transportam consigo. Avistamo-los como um passeante observa uma corça ou um pássaro que se aventura na orla do bosque.
Só nos resta ficar em silêncio enquanto os pedacinhos de pão são colhidos, delicadamente, da neve...
CUTTING
Chegam-me cada vez mais relatos de adolescentes e jovens adultos que se cortam. Nos momentos em que não sabem dar resposta ao nó ansioso que lhes vai lá dentro, levantam as mangas das camisas ou baixam as calças e cortam-se nos braços, na barriga, nas virilhas...
Fazem isto na solidão dos seus quartos enquanto pais tranquilizados pela novela e pelas notícias descansam.
Serei o único a quem estas revelações atingem como um soco?
cutting.jpg
QUARENTENA, JÁ?
Pergunto a mim mesmo se me devo considerar um "santaneto" por corresponder à campanha e utilizar regularmente o "Sistema de Transportes de Lisboa"?... Pera aí... mas o Santana não anda de autocarro, mas sim de cu tremido num automóvel de luxo pago com o dinheiro dos contribuintes... Bem, serei então um Santaneto de Cartaz Publicitário.

23 de março de 2004

ALEVANTA-TE
É tarde, na televisão podemos escolher entre um pimpineira sobre o terrorismo (com um Carlos Amaral Dias a simular uma destreza de espírito que, por Zeus!, não possui) e a grosseria teatral do "Levanta-te e Ri". Podemos escolher é uma forma de expressão... Só o diabo conseguiria.

Tenho-me evitado, enquanto membro de uma das gerações que cresceu a rir com o Herman (e que escreveu algumas -poucas - coisas que ele representou), mas tenho cada vez mais dificuldade em me manter silencioso. Alguém consegue distinguir quando ele veste o fatinho cor-de-rosa e cozinha, onde acaba o Nélio e começa o Herman? Ou onde acaba o actor e começa o canastrão decadente... Custa-me muito dizer isto, mas há um tempo para partir...
MANTENHA-SE VIVO
Um dia recebi um sms com esta mensagem. Pensei escrever um poema sobre os afectos com ela. Depois percebi estar perante o poema em si.
EMPATIA
Hoje uma aluna minha duvidou da definição habitual de "empatia". Parecia-lhe ser impossível não sentir ódio por alguém que pratica um acto que nos é detestável, ainda que lhe conheçamos as razões.
Concluo que a minha aluna pertence à maioria.

22 de março de 2004

----------------------FONTE.JPG---------------------

Irritam, os países que se metem em bicos dos pés e mostram as roupas interiores desajeitadas.
Vale-lhes a inocência do que continuam a ser.
Apesar deles.
TRÓIA, A PROPRIAMENTE DITA

Em Tróia talvez houvesse algum cavalo, mas apartamentos nem vê-los. Os TSD tinham ocupado tudo. A expectativa do SENHOR DOUTOR PRIMEIRO MINISTRO DO NOSSO PARTIDO ir até lá, falar com eles quase de igual para igual, tinha arrastado as multidões de funcionais laranjinhas. Tudo o que era director de serviço e argoleta com um emprego nas finanças lá estava. A maior concentração de gente sem graça do mundo. Eu estava por lá e vi. Muito carro de cilindrada à bruta haveria de ficar encalhada na fila do referido ferry quando a coisa terminasse. É sempre maravilhoso ver como o dinheiro flui quando o nosso partido manda... Enfim, adiante.
O ar é que se zangou. E se começou com um sábado primaveril, em que os mais ousados se lançaram à água, já no domingo rosnou furioso, disparando areia para todo o lado e arrefecendo a penugem dos mais incautos.
Desconfio que o clima de Tróia, apesar do carinho com que o companheiro Belmiro o tenciona tratar, enchendo tudo de relvados golfistas e esgotos a correrem para o mar azul, não se considera um Trabalhador Social Democrata. O ingrato...
PRIMA VERA
Quando ela chega fica tudo maluco. Antigamente metia-se tudo em casa, ou nas ervas que nasciam.
Agora atiram-se à estrada. O mais depressa que forem capazes. Matam-se para mostrar que estão vivos. É fomidável.
Não sei bem o que aconteceu no resto do país, mas à volta de Lisboa meteu tudo baixa urbana, isto é, fugiram dos prédios como o diabo da cruz.
Eu também lá fui. Filas gigantescas de trânsito tentavam passar a ponte. Chegar à Caparica ou ao Meco que não sendo longe, ainda são praias.
Os mais ousados (tantos, por Toutatis!, tantos!) tentaram atravessar de Ferry para Tróia. E não foi difícil: com hora e meia de espera, se tanto, lá parados. Os barcos surpreendidos com a afluência queixavam-se de ser pequeninos e do senhor administrator (a banhos longe dali) não ter dado ordem para que a coisa se processasse como deveria. Mas que culpa tem o senhor administrador da empresa dos barcos se não percebe nada de fluxo marítimo. Não o deveriam ter tirado do tacho anterior onde ele era muito mais feliz e até chegava mais depressa. É que até Setúbal ainda é um cadinho de autoestrada...

18 de março de 2004

A COMPANHEIRA ODETE
Hoje também subi uma calçada depressa. E contudo, não fui dar a lado nenhum.

.................................CamPic31.jpg.................................
AS COISAS SÃO O QUE SÃO
A gosta de B que gosta de C que gosta de A ou de D ou E.
Sempre foi assim. Mesmo se todos suspiram que ninguém gosta realmente deles :)

Na Primavera os pombos fazem amorosos cocós no colo das árvores. Os pombos gostam das árvores, embora estas gostem de...

VENDE-SE
Empregada de limpeza em bom estado, asseada e rápida. Tão rápida que é capaz de deitar para o lixo um tabuleiro de acrílico com textos, documentos, cd roms com a cópia (nalguns casos, a única) de contos, artigos, inícios de história, etc, etc.
Ou troca-se por um látego à Mel Gibson. No fundo, não causaria mais estrago... Auch!

ps, também conhecido como "Final Feliz": encostadinho às batatas, na varanda, jazia e arrefecia o referido ítem. Com coisas lá dentro que não sonhava e ainda bem, ou a aflição seria maior. Suspeito de um rebate de consciência de última hora.
A possibilidade de um milagre também não será excluída.
Tudo está bem quando acaba assim assim.

16 de março de 2004

HELLO... I'M HERE!! THE SPOT PLEASE!!!
Recebo regularmente na minha caixa de e-mail, o programa de festas de um documentarista português. No último, fiquei a saber todos os sítios em que ele vai estar nos próximos tempos, as aulas e as escolas em que o poderemos ouvir e os sites onde trabalhos seus se avistam...
Sou eu que estou a sonhar ou isto é uma forma maligna de Ansiedade Mediática...?
CINE
depois de ter aturado a bem da prole, o SPY KIDS 3 (com óculos 3d e tudo, sim... suspiro...) achei que hoje era um bom dia para ir ver alguma coisa de jeito. Mas, olhando para o jornal fico indeciso. Os Friedman e a paranóia americana da perseguição, a História de Um Segredo, sobre o assunto que nunca acontece (a morte de mulheres por aborto clandestino) ou a cena gore do Cristo.... Bem... esta última está eliminada, não há pachorra para ir ver gente à martelada a um tipo de fralda. Weird...
FEIRA DO LIVRO
As árvores começam a dar sinais de agitação, as obras resmungam, incomodadas, os projectos para os pavihões talvez já estejam a ser acabados à pressa... É a feira do Livro de Lisboa que se prepara.
Nunca me consigo decidir sobre o espaço que prefiro, a rampa inclinada a empurrar o tejo e os telhados para baixo, ou a intimidade a Norte do Palácio de Cristal. Redondo e íntimo.
SMS
Ontem dei uma aula feliz :)

................................................................CamPic20.jpg.........................

15 de março de 2004

BILHETEIRAS ELECTRÓNICAS
Os cinemas portugueses vão passar a disponibilizar os números reais de espectadores e as receitas de bilheteira de cada filme.
Estou ansioso para ver os resultados dos filmes portugueses pagos por nós e seleccionados no apoio por alguns curiosos do assunto.
Espero que o sistema informático comporte números negativos.
CAVACO STRIKES BACK
Nem sempre estou de acordo com a Clara F. Alves, na sua crónica expressa, mas esta semana ela tem razão. Ao referir-se ao quão desnecessário é o ressureição de Cavaco Silva na vida política, num país que até já se esqueceu da forma como ele cortou a direito sobre as regalias dos assaliarados e permitiu a ascenção ao poder de grupos de empresários que encheram este país de alcatrão e condomínios ela tem toda a razão. Para os que andavam de fraldas na altura relembro que este também foi o período do surgimento das "tias", essa raça odiosa de argolas nas orelhas. As insanidades que eu ouvi vindas de boquinhas tontas que tinham conseguido ocupar lugares na cultura à custa das pernas à vela e do facto dos homens (leia-se "economistas") se estarem a cagar para esses lugares, dificilmente me sairão da memória. Para ilustrar o boneco diria que o outro candidato, Santana Lopes é a melhor imagem desses tempos de bluff e ignorância arrogante.
Vá lá para casa, amigo Cavaco, que a gente já lhe perdoou. Escreva lá as suas memórias sobre coisas que não interessam a ninguém, mas por amor de deus NÃO VOLTE...

13 de março de 2004

ESPANHA
Há umas décadas atrás, muitas, acho, o tecto da estação de combóios do Cais do Sodré abateu, por negligência ou apenas fatalidade. O filho único de uma amiga minha estava lá nesse instante. Era lindo, feliz e vivia cheio de projectos e sonhos. E assim se apagou, estendido no chão imundo de um sítio inesperado para morrer. Tinha 17 anos.
Algures no planeta, alguma organização há-de estar a soltar gritos de júbilo pelo sucesso da "missão"; aqui ao lado, partidos políticos com os olhos nos votos que vão ganhar com esta tragédia manipularão despudoradamente os eleitores... Mas, a mim, só me vem à cabeça a voz da minha amiga: "rebolava-me de dor, pelo chão, como um bicho por não acreditar que ele tinha assim morrido"...

10 de março de 2004

OUVIR
Ontem, numa aula de Escrita Livre falei no Ruy Belo e li um excerto de um dos seus poemas. Hoje, depois de uma reunião editorial ofereceram-me um audio-livro com a sua obra. Afinal, sempre Há Coincidências... :)
CANCRO DA MAMA
Os movimentos anti-vida-feliz lá se lembraram de que abortar provoca cancro da mama em ratos. E que algumas mulheres teriam problemas psicológicos depois de interromperem a gravidez. E eu que pensava que todas as mulheres que recorriam ao aborto clandestino saíam das salas sombrias das parteiras aos gritos de alegria, de cuecas na mão prontinhas para se deitarem com quem passasse...! Essas Madalenas!
Alguém que diga a este bando de velhadas que apelar para a patranha científica provoca o cancro da estupidez...
Oh, por amor dos deuses...
A VISOSE
Vá-se lá saber como, meti um vírus no computador que me impede o acesso aos ficheiros. Enquanto não chega o médico vou-me desenrascando numa máquina mais antiga, mas não consigo publicar fotografias e coisas mais complicadas.
Deveria ter usado uma camisinha PANDA ou NORTON, eu sei... Mas o que é que querem, um homem mete-se a escrever à maluca e o calor de tanta palavra... Olha, aconteceu, Pronto!

9 de março de 2004

PORTUGAL, PRONTOSS...
Back :)

Escrevi uma série de notas de viagem, mas não sei onde coloquei o meu caderninho preto... lol, daí que tenha de repetir o exercício.
Ao chegar ao aeroporto, lá arrastei as malas pelos meandros do edifício para não ofender os motoristas das Chegadas. Afinal, eu queria ir apenas para Lisboa. E como é sabido eles ficam zangados com as pessoas que querem ir para mais perto do que Bilga, uma pequena aldeia da Patagónia. A Antena Um lá enviava para o éter(num tom de voz dos anos sessenta) uma entrevista de um governantezito qualquer, com uma patacoada de empresa familiar para cá, cinco campos de golfe em plena Arrábida para lá, empresários felizes, blá blá.
Valeu-me o efeito Kiitos, que é uma dose de delicadeza misturada com simpatia educada (tudo embrulhado numa paisagem de neve, com florestas e lagos gelados) que os Finlandeses me tinham provocado. Enfim, o costume...
O festival de cinema de Tampere é especializado em curtas metragens. Não havia nenhum filme português seleccionado, embora algumas produtoras tivessem tentados. Mas havia muitos filmes suecos, russos e, naturalmente, finlandeses.
A ficcção nórdica era, no geral, fraquita, ao contrário das expectativas criadas pelas longas que nos têm chegado graças ao esforço da Zero Em Comportamento (de quem se aguarda com grande expectativa a organização da primeira edição do Festival de Cinema Independente de Lisboa, lá para o fim do ano). Os argumentos eram razoáveis, havia a preocupação de procurar uma estrutura sólida, mas frequentemente fomos desiludidos pela pouca ousadia das soluções encontradas. Um dos mais interessantes foi justamente o filme sueco que ganhou o Grande Prémio, "Headway" (em suomi: "UTVECKLINGSSAMTAL"). Momentos de grande hilariedade surgiram com dois dos filmes premiados, o documentário russo "Transformer" (dois homens partilham connosco a espera da equipa que os levará do sítio onde tiveram um acidente com um transformador eléctrico gigantesco...). E com o finlandês "LIIVI-LEA" (A loja de lingerie de Lea). Sobre este documentário, que vi duas vezes, sobre uma mulher velha que tem uma loja onde vende roupa interior do mais básico, tenho a dizer que passou em suomi (a língua finlandesa) SEM LEGENDAS. E que mesmo assim, fomos todos forçados a rir, imaginando apenas os comentários que a senhora fazia :) Espero um dia vir a perceber alguma coisa...
E que mais?...
Bom, a descrição do resto da viagem teria de meter a brancura da neve, a experiência estranha de fazer sauna no meio de gente que fala uma língua impossível enquanto se fustiga alegremente com ramagens de árvores, os pés descalços sobre o gelo. E um país que sendo organizado, não perdeu o sentido de humor ou se deixou arrastar pela obsessão da ordem paranóica como os países do centro da Europa.

6 de março de 2004

ps 2:
estou infiltrado clandestinamente na sala de imprensa do Festival. E' triste o que um bloguista e' obrigado a fazer. Lol!
CARTA DA FINLANDIA
ok, ok...
Obrigado pelas palavras de incentivo. Quando acabar, acabou.
Entretanto, estou com 4 graus negativos, em plena Finlândia. Regresso na proxima semana (os acentos escondem-se misteriosamente neste teclado...), quando terminar o festival de cinema de Tampere.
Logo partilharei.
Ate' segunda ou terça ;)
Abraços
ps: brrrr....

29 de fevereiro de 2004

arvore.JPG

No Inverno os pássaros têm dificuldades em saber o que está no alto
THE END?

Tinha prometido a mim mesmo que terminaria com o blogue ao fim de um ano. 365 dias já é muito tempo a protestar e a registar o tempo....
Amanhã é o 1º de Março, dia de aniversário _inculto.
Ainda estou a pensar :)
CAN YOU PLEASE TAKE MY FREEDOM?

Hoje, sábado ao fim da tarde, calcei os ténis, embrulhei-me no cachecol, meti o passe da carris no bolso e fui, sem agenda, ao cinema. De cara ao vento, sem querer saber so horários das sessões ou da distância do percurso.
3 horas depois estava de regresso, enregelado, com uma refeição de fast food e um filme com a Diane Keaton no bucho.
Nem sempre a liberdade nos cai bem no estômago...

NÃO SE MEXAM NÃO
A direita conservadora já conseguiu reunir 125000 assinaturas para boicotar qualquer alteração à lei que espeta com as mulheres na cadeia. Entre os mais assanhados contam-se homens, padres, freiras e velhas para lá da menopausa. Os mesmos que votaram religiosamente no referendo. E eu que julgava que isto era um assunto que dizia respeito à consciência das mulheres em idade de engravidar.
Santa ingenuidade. A minha.
freiras.JPG
LIVROS
Hoje voltou a acontecer-me. Entrei numa livraria e vi uma profusão de livros com capas boas ou bastante razoáveis, a dimensão certa para nos prometer muitas horas de prazer e, surpresa das surpresas, primeiras páginas bem escritas, claras e límpidas. Tive vontade de comprar uma quantidade insensata deles. O que é bom sinal.
Sei que é um disparate, mas por um momento acreditei que o meu país se tinha reconciliado com a leitura...

26 de fevereiro de 2004

O COMPRIMIDINHO
Isto estava a ir tão bem, antigamente. Os laboratórios compravam quantos médicos quisessem, a venda de medicamentos era um negócio tão chorudo que existe uma entidade que diz quantas é que são rentáveis em cada área (trespasses que atingem o milhão de contos, nalguns casos), nós pagávamos as nossas caixinhas de 1600 comprimidos para a dor de cabeça... Enfim, era o paraíso. Agora lembraram-se de ir levantar a lebre, de começar a falar em genéricos. A Ordem dos Médicos bem tem tentado que os seu ordenados (por assim dizer) não estraguem os seus contratos com as Báieres deste mundo e receitem apenas coisinhas de marca. Mas fica-se com a ideia que o negócio já viu melhores dias. Vieram hoje para a imprensa acusar-se mutuamente.
Alguém que reúna o pessoal das respectivas ordens, associações do sector e administradores de laboratórios e lhes lembre que o ditado "zangam-se as comadres, descobrem-se as verdades" ainda acaba por se lhes aplicar...
VITÓRIA 2

Há cada vez mais pessoas a afirmarem que consideram o treinador J. Mourinho um dos nossos maiores arrogantes (e a concorrência é dura...). Não concordo. Um homem que declara (a propósito da vitória sobre o Manchester) "temos que ter consciência de que reduzimos à vulgaridade um dos maiores clubes do mundo" é alguém que conhece o ditado "sic gloria transit".
VITÓRIA 1

Viva! Somos o 3º país mais caro da Europa.
Nem era preciso a estatística, bastava olhar para os barcos e carros de luxo que os nossos empresários compram com o ordenado mínimo nacional para ver que só pode estar tudo muito barato.
CINZAS

Acabou-se a folia. O Mário Crespo (na Sic Notícias) lá tentou atabalhoadamente lembrar que a padralhada acha que devemos esfregar a testa com cinza e esquecer os pecados da carne. Coitado, a coisa parecia não fazer muito sentido para ele. Para mim, também faz pouco. É que não conheço nenhum padre "vegetariano", mas acredito que exista...

20 de fevereiro de 2004

PORTUGAL E OS 2,8%
.....................Carnaval-1B1.jpg................................

Weeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee
CARNAVAL
Chegaram os dias de atirar balões de água a quem passa.
O nosso ministro da cultura é que é esperto. Anda invisível a ver se ninguém lhe acerta.
TO SAY OR NOT TO... HINNNN HÃÃÃÃÃÃ

As afirmações do idiota que preside já não sei a que comissão para a adopção além de gerir de perto o destino de muitas crianças desprotegidas do Sul, causaram, naturalmente muita celeuma.
Diz a criatura que mais vale uma criança ficar eternamente enfiada numa instituição (como a veneranda Casa Pia, ou a Casa do Gaiato ou...) do que ser adoptada por um casal de homossexuais. Estes viciosos não tardariam a encher a criancinha de plumas ou de blusões de cabedal.
Claro que as declarações da pacóvia figura não merecem grande atenção. Reflectem o que muitos pensam e calam. Este ao menos fala, o que é bom já que permite saber onde está.
E neste caso, está no lugar errado.

18 de fevereiro de 2004

MÚSICA PERTO DA kAPITAL
"A apresentação da obra integral de Chopin em cinco concertos é o grande destaque da programação da 39ª edição do Festival de Sintra que decorre de 18 a 31 de Julho".

Será desta que vamos ouvir o concerto para violinos? (vénia, sr-futuro-presidente, vénia sr-futuro-presidente...)...
OS ÁRBITROS
No canal História, um documentário mostra-nos os esforços titânicos que os cientistas vitorianos faziam para inventarem dispositivos anti-sexo.
Na Sic Notícias, homens falam sobre o aborto. Olhando para eles, estou seguro que nenhum será apanhado a fazer nenhum...

17 de fevereiro de 2004

PSEUDO-INTELECTUAL
Houve um tempo em que me irritavam as pessoas que eu agrupava pelo epíteto "pseudo-intelectuais". Era jovem e idiota, na altura. Achava que ser um Verdadeiro Intelectual era maravilhoso.
Não entendia que deve ser formidável citar Kafka hoje e coçar os tomates em público, amanhã...
Quem me dera tal ligeireza!

..........poet.jpg...........


A IMORTALIDADE A PRESTAÇÕES
Hoje tentei escrever páginas imortais de literatura, mas só consegui tirar uma mancha de humidade do tapete. A lixívia não deu para mais.
Raios partam o nosso lado humano ;)

15 de fevereiro de 2004

PAX IN DOMINICUS
A maioria conservadora, apoiada pela sempre aventurosa oposição, rejeitou a possibilidade de serem administrados a doentes terminais medicamentos que contivessem na sua composição cannabis. Invocaram, não os deuses, como deveriam, mas sim o facto de "não existirem suficientes estudos" sobre o interesse da medida. Se tudo correr bem, dentro de 10 anos voltarão atrás para se pronunciarem favoravelmente sobre a prescrição de drogas que possam diminuir as terríveis dores, vómitos e tonturas de pessoas que estão a chegar ao fim.
Se tudo correr bem, não se lembrarão deste seu acto à vista de um ente querido que parta em agonia, ou deles mesmos, consumidos por coisa ruím.
Se tudo correr bem, talvez me venham à cabeça outras palavras que não sejam "burrice" e "crueldade"...
PARABÉNS!

Acabo de ver que o filme de Fernando Matos Silva, acaba de ser apoiado com 650.000 euros, pelo júri do ICAM.
Como o seu último filme registou exactamente 243 (duzentos e quarenta e três) espectadores não será difícil bater o seu próprio recorde. Uma palavra de apreço ao júri que sabendo do desinteresse do público pelo trabalho do referido realizador não hesitou em insisitir.
São decisões como esta que fazem crer que o cinema português está no bom caminho.
NO CAFÉ
Hoje, uma professora primária (simpática, de resto) dizia-me que também lhe apetecia escrever um livro. Que "afinal, a área dela não era assim tão distante do acto de escrever". Sugeri-lhe que se sentasse e escrevesse. Não fui capaz de lhe dizer que escrever é não saber nada.

...................................escola.bmp..................................

13 de fevereiro de 2004

TO POST OR NOT TO POST
É sempre um mistério o que interessa comentar. Política e sexo, há sempre quem opine. Literatura (pelo lado de dizer mal) também há regularmente quem se chegue à frente. Mas quando se fala de violência doméstica ou de propostas mais concretas para o país em que vivemos, apenas o silêncio responde.
Que posso acrescentar. É o país que merecemos.
ARTE VIRTUAL
Sou parte interessada e suspeita neste processo, mas aconselhava vivamente uma passagem pelo "nó" de arte virtual ATMOSFERAS (www.atmosferas.net). A equipa trabalhou durante bastante tempo para apresentar este projecto. Ainda que faça questão de manter a ideia de work in progress.
Pela parte das ficções "net oriented", aceitam-se propostas interessantes.
LITERATURA
Auditório cheio para todas as sessões. Em muitas, gente interessada de pé a ouvir os convidados. E muitos deles foram os que mereceram, pela forma humorada com que trataram as coisas graves do mundo. Um encontro diferente da aborrecida mediania geral. Não sei exactamente por que não frutifica esta raiz noutras zonas do país... Mas uma boa organização e uma inteligente maneira de tratar público e convidados não deverão estar longe das principais razões do sucesso desta iniciativa.
A repetir.

12 de fevereiro de 2004

ESCRITORANDO
Nos próximos dias vou estar no encontro de escritores da Póvoa. O que se deve traduzir num descanso nos posts (Não me agradeçam...). Lol.
ONTEM
escrevi um poema.
Hoje não poderia.

10 de fevereiro de 2004

PLANO SUBJECTIVO

pontao2.JPG
AI JEJUS... QUE VEM AÍ O DEMO!

Mil anos depois dos países civilizados e muitas manifestações de estudantes depois, o Ministério aparenta estar decidido a criar uma disciplina específica de Educação Sexual nas escolas. Obviamente que ainda se dirá muita cagança sobre o assunto. Já defendi aqui, por várias vezes, a indispensabilidade de criar áreas de desenvolvimento pessoal, EFICAZES, nos programas. Mas confesso estar mais de acordo com a ideia de Educação para a Saúde que integre os aspectos práticos da res sexual. Não há-de ser muito complicado explicar aos meninos que se meterem a coisinha desprotegida numa das duas hipóteses mais óbvias se arriscam a levar para casa mais do que desejavam. E que as meninas tontas que olharem apenas para os olhos iguaizinhos aos da Ragazza! que se debruçam, sem calças, em cima delas se arriscam (além dos extras já referidos) a gerar dentro de si algo mais do que um grande amor.
E de caminho talvez se possa ensinar que cada um de nós tem direito ao seu corpo e que este não pode ser abusado, seja pelas vias tradicionais da violência, seja pela do sexo prematuro e indesejado.
É assim tão complicado?
O SOM DAS COISAS A CAIR

Na Grande Reportagem apensa ao DN de sábado, uma entrevista cool a um fazedor de selas. Ao deslumbramento do repórter ( e nosso, também) sobre o facto do artesão ter manufacturado os assentos onde os heróis do SENHOR DOS ANÉIS batalharam pela vida, ele limitou-se a dizer, com humor: "As selas estão muito direitinhas e eles caem muito bem delas abaixo".
Lol!
ALENTEJO LITORAL
A mulher era velha. O homem também. Ele esfregava-lhe a manga da camisola na cara: "Vês a nódoa que lhe metestes, vês?!". Ela gemia, procurando afastar-se. Na violência da voz dele, e na forma familiar com que a agredia percebia-se a prática. Hoje era apenas uma protesto. Noutros dias, seria a sério.
Até que a morte os separe.

ui2.JPG

5 de fevereiro de 2004

AFERIÇÕES
O Ministério da Educação decidiu que este ano a rapaziada do 9º ano vai ser toda examinada a Português e Matemática. E daí se concluirá se vamos ter cidadãos conhecedores ou não.
Aliás, a maioria dos putos, quando abre a boca é só para dizer Pi ("Vai-te PIii... Meu ganda Piiiiiiii, ó setôr vá pró Piiii....Não desligo o Pi do telemóvel..."). Na verdade, a união entre a língua materna e a matemática parece-me bastante sólida.

Bem-hajam luminárias governativas por não se preocuparem em avaliar ( e conhecer os desastrosos resultados) da Inteligência Emocional dos futuros portugueses.
ESTÁDIOS
Não percebo esta onda de contestação em relação aos distúrbios que deram uma interdição de campo ao Guimarães. Então os pobres luso-hooligans viram-se à rasca para arrancar as cadeiras dos sítios e atirá-las com um mínimo decente de pontaria aos jogadores e árbitros e ainda são repreendidos por isso. Quer dizer: não só não os deixam levar pedras, armas, rockets ou outra coisinha qualquer com que se divertir, como ainda lhes querem quebrar a capacidade de improviso...! Assim para que é que se andou a gastar milhões e milhões em estádios? Se não deixam os adeptos divertir-se, mais valia ter ficado tudo na mesma...
A FAUNA
Não é verdade que não exista vida selvagem nas cidades.
Ainda ontem vi um bando de abutres à porta do Instituto Prisional de Lx. Pousavam à volta de carros de emissão via-satélite e procuravam arrancar bocados de carne de tudo o que passasse.
Consta que o mesmo bando foi hoje avistado para os lados do TIC.
------------------------abutre_g.jpg----------------------

4 de fevereiro de 2004

HÁ LÁ COISA MAIS PERIGOSA
que o amor? O homem que ama não tem medo, nem pode ser manipulado por nada exterior a esse sentimento. Não se lembra da missa, nem de rezar como lhe exigiram, não se lembra de escolher alguém que sirva os interesses dos outros, porque a pessoa que tem na frente lhe parece a única. O homem que ama não calça as botas cardadas para sair à rua à procura de gente diferente dele a quem possa ferir antes que o magoem a ele; não tem medo da diferença porque ele próprio se sabe único. Amar e compreender são sinónimos, porque quem ama quer saber tudo o que há sobre a face da terra, e para saber tudo tem de abrir o coração ou muitas seriam as coisas que cairiam por terra.
Alguém já o disse, mas eu repito-o, porque as palavras são para serem tomadas como nossas quando nos revemos na forma das suas linhas: os políticos têm medo do amor, as instituições têm medo do amor; os lóbis têm medo do amor. Do amor em sentido lato. Têm medo que a gente os compreenda, que olhe para eles e em vez das vestes púrpuras ou dos fatos Armani vejamos o homem fraco que na sua insegurança fará tudo pelo poder. E para isso necessita de nos manipular, de nos criar medos, de nos dar com uma mão para nos poder tirar com a outra. O seu maior medo é que não dancemos ao som da sua música. Porque ficariam sozinhos e minúsculos...
Mas como pode dançar apenas com a música dos mesquinhos o homem que procura ter dentro de si a música do mundo inteiro?

2 de fevereiro de 2004

BLOGGING......2.jpg.......

Ultimamente quase não leio blogues. Quer dizer, vou espreitando os de sempre e deixo-me guiar de uns para os outros, ao sabor do rato, o que me parece uma forma de manter uma vida mais tranquila.
Durante esta navegação fui parar a um site onde se diz que o "o Tolkien é um autor menor". O homem que recriou todo um universo e o povoou de centenas de personagens fortes e comovedoras é um autor de pouco interesse...
Vindo de quem vem, preocupa-me um pouco...
SESSÃO DUPLA
Em 2 dias, o "Lost in Translation" (título que em português se perdeu, de facto, na tradução...) e o "Être et Avoir" (Ser e Ter). 10 euros bem gastos. A realizadora que nos tinha envolvido com as suas "Virgens Suicidas" volta a embrulhar-nos numa relação entre um actor maduro e uma jovem mal casada, ambos enrolados numa Tóquio nocturna de néons.
...........................................etreetavoir..............................................
"Ser e Ter" é igualmente um filme sobre a solidão. Um mestre-escola que acompanha os seus alunos até ao portão da escola, de onde nem todos voltarão. Numa altura em que a RTP (a gente) irá distribuir (certamente, mal) dinheiro por vários documentários, recebemos esta lição de Philibert. Um documentarista não é um pretensioso que não sabe escrever diálogos: é um cineasta que os sabe escutar.